Banco Central vê ciclo mais longo de alta da Selic

A taxa de juros básica deve continuar subindo a um ritmo de 1 ponto percentual, como visto na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central.

 

Mas o ciclo de alta pode ser maior que o cogitado pelo mercado financeiro, segundo indicações que constam da Ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, 28.

 

A taxa de juros básica da economia está hoje em 6,25% ao ano e as projeções são de mais duas altas de 1 ponto percentual este ano, chegando a 8,25%. Na ata, o BC diz que a estratégia mais apropriada para assegurar a convergência da inflação para as metas de 2022 e 2023 é a manutenção do ritmo atual de ajuste associado ao “aumento da magnitude do ciclo de ajuste da política monetária para patamar significativamente contracionista”.

 

Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, a ata reforçou as preocupações do BC com os riscos fiscais e explicitou que o ciclo de alta pode terminar com juros acima do cenário básico da autarquia.

 

“É interessante ver a preocupação do BC ainda com a piora gradual que se espera para o fiscal, abrindo a possibilidade concreta de que o cenário básico talvez não seja suficiente, abrindo espaço para uma Selic acima de 8,5% no fim do ciclo”, diz Vale.

 

Na ata, o BC afirmou que a assimetria para cima criada pelo perigo de deterioração fiscal no seu balanço de riscos justifica uma “trajetória para a política monetária mais contracionista do que a utilizada no seu cenário básico”, que prevê inflação de 3,70% em 2022 com Selic de 8,5%.

 

Para Vale, o Copom usou a ata para explicar que pretende manter o ritmo de aperto monetário de 1 ponto porcentual por reunião. O objetivo é observar o comportamento das commodities, cuja desaceleração pode descomprimir a inflação, observa o economista.

 

Ao mesmo tempo, Vale nota que o cenário de inflação é preocupante, mesmo considerando esse vetor de baixa. O economista lembra que a instabilidade política do País tende a manter a taxa de câmbio pressionada e que a ocorrência do fenômeno La Niña no fim do ano pode manter baixos os níveis de reservatórios.

 

“É um cenário de inflação que preocupa, e, como o BC está sozinho, sem ajuda da política fiscal, com o excesso de gastos previsto para o ano que vem, pode precisar subir mais os juros”, diz Vale.

 

A MB espera dois aumentos de 1 ponto da Selic, em outubro e dezembro, e taxa de 8,25% no fim de 2021. O fim do ciclo ocorreria na primeira reunião de 2022, com um ajuste de 0,75 ponto, e a taxa de juros permaneceria em 9,0% até o fim do ano que vem. Nesse cenário, Vale prevê IPCA de 8,70% neste ano e de 4,70% em 2022.

 

Sem limite
Para o economista João Leal, da Rio Bravo Investimentos, a ata da reunião de setembro do Copom reforça a manutenção do ritmo de alta da Selic em 1 ponto porcentual, mas traz a novidade de levar a taxa de juros para patamar “significativamente” contracionista. “Dá visão maior de que não há limite para o nível onde o Banco Central pretende colocar a Selic”, diz.

 

Mas, para o economista, a ata não deixou claro que existe uma pressão mais de alta do que de baixa para a inflação, sem menção às surpresas inflacionárias no País e a uma possível desancoragem das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2022. “De novo, o BC parece menos preocupado com a inflação do que o mercado está. E isso pode ser um risco muito grande para o cumprimento das expectativas de 2022 e 2023”, alerta o economista.

 

A Rio Bravo manteve as estimativas de altas de 1 ponto para a Selic em outubro e em dezembro, com juros a 8,25% no fim de 2021. A previsão é de taxa de 8,75% no final de 2022, mas com viés de alta. “O mercado pode estressar a curva de juros e alterar expectativas de inflação. A visão do BC talvez seja mais otimista”, afirma Leal.

 

Na ata divulgada nesta terça-feira, o BC afirmou que discutiu “custos e benefícios” de acelerar o ritmo de alta de juros, mas fez três ponderações. A primeira é que o estágio do ciclo de ajuste é caracterizado por uma política monetária já efetivamente contracionista, quando se considera a diferença entre as expectativas para as trajetórias da taxa de juros e da inflação ao longo do horizonte relevante de política monetária.

 

Além disso, segundo a ata, simulações com trajetórias de elevação de juros que mantêm o ritmo atual de ajuste, mas consideram diferentes taxas Selic no fim do ciclo, sugerem que o atual ritmo de ajuste é suficiente para atingir patamar significativamente contracionista e garantir a convergência da inflação para a meta em 2022, mesmo considerando a assimetria no balanço de riscos.

 

Por fim, o Copom destacou que o peso de itens voláteis nas revisões das projeções de inflação de curto prazo e o ineditismo do processo de readequação econômica pós-pandemia reforçam o benefício de acumular mais informações sobre o estado da economia e a persistência dos choques em vigor.

 

Fonte: https://bit.ly/3F0fKeX

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